AVENGED SEVENFOLD - THE WICKED END

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Olhares diferentes.


Não aguento mais estes olhares de diferença, de repugnância, de desprezo. Sou como todos os outros, tudo bem que sou de outra raça, mas por ter cor diferente, cultura diferente, tradições, religiões diferentes dos outros, mas devo deixar de ser respeitada por causa disso? As pessoas não têm esse direito, eu não deixo de ser como elas, tenho sentimentos como elas, juro que não entendo o porque de me olharem de lado sempre que passo na rua.
Acho melhor, apresentar-me chamo-me Maria tenho 16 anos, e á 10 anos que vivo em Portugal. O meu pai e a minha mãe são angolanos, mas a minha avó materna é a única portuguesa da minha família que eu conheço.
A minha mãe foi para Angola quando tinha 17 anos, foi com a minha avó e com o meu avô, eles foram para lá porque o meu avô foi colocado numa escola na sua terra natal em Luanda, o meu avô era professor de português, tinha vindo para Portugal como 18 anos, para poder ter um curso superior.
A minha mãe casou- se com o meu pai aos 23 anos, passado dois anos engravidou da minha irmã Ana e dois anos mais tarde teve-me.
Viemos os quatro para Portugal, pois os meus pais queriam que eu e a minha irmã tivéssemos oportunidades de estudo melhores. Quando chegamos cá, fomos durante um ano para casa da minha tia-avó, até os meus pais se organizarem para poderem comprar uma casa. O meu pai é dentista e a minha mãe é professora, a minha irmã estuda numa escola de artes em Lisboa eu numa escola secundária pública em Lisboa.
Vivemos num bairro perto do centro de Lisboa. No nosso bairro somos os únicos estrangeiros, ou seja, somos os "pretos" do bairro, sempre que saímos á rua os nossos vizinhos ficam a observar-nos como se fossemos algo raro no mundo, só por sermos de cor diferente.
No início pensei que fosse uma questão de hábito, pelo menos era isso que a nossa mãe nos explicava, mas agora, agora percebo claramente que eles sempre nos virão como seres diferentes e sempre nos irão ver, não são capazes de nos aceitar por sermos um pouco diferentes deles. Não têm coragem de nos olhar nos olhos e dizer bom dia, dizem-no por boa educação e quando o dizem olham para o chão, nunca nos encaram.
Não entendo, somos assim tão diferentes? Afinal de contas, eu respiro como eles, eu como e bebo como eles, eu estudo como eles, eu choro, eu rio, tudo como todas as outras pessoas existentes no mundo. Se faço isso tudo, porque que me tratam de maneira diferente? Porque me faltam ao respeito?
Eu e a minha família somos cristãos, vamos á Igreja todos as semanas. Respeitamos todos os feriados, as festas, tudo igual.
Há razão para sermos descriminados desta maneira?




Daniela Paiva Formigal 10ºB n.º5

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