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terça-feira, 1 de junho de 2010

Heteronomia

Desenrolo-me ao longo do casulo. Sinto as vértebras até nos pulsos. Um pensamento vil percorre e ecoa. O lençol manchado envolve-me ao entrar em contacto com o meu corpo. Uma forte nuance engole-me de forma livre. De forma dócil. Tão dócil que o toque se torna eterno. A felicidade torna-se rarefeita e a desorientação dirige-se para uma visão que não a minha. Tão dos outros que durante um par de horas me tornam consisa.

Entretanto já a minha entidade vai alta e desvia o seu padrão natural para nunca mais me encontrar. Oh, como é aconchegante te-la longe de mim, de certo modo esqueço-me de quem em tempos fui, e por isso neste momento também já não sou, apenas o virei a ser.
Mal sabia que tudo voltaria a tornar-se árido e desprovido de vida.
A dúvida evade-me e invade-me.
Queria ser como as gotas de orvalho, que aparecem nas gélidas manhãs, rapidamente me evaporaria na densidade das nuvens. E depois regressaria com uma textura liquida e interior cristalino. E, numa chuva pesada, tão pesada como a minha dor, regresso num porte brotado pela vergonha.
Quero que a brisa sopre para Norte, para me fazer vaguear e dispensar-me daquilo que existe em sobrecarga.
Porém sendo, ou não orvalho, sou sempre a negada, a negada por parte da tranquilidade e leveza, e aprovada pela ridiculariedade e estupidez.

Queria ramificar-me, na tua expressão divina e no teu porte estrondoso. Sim, és a minha brisa, a que me leva e a que me trás de volta. Aquela que me faz esquecer quem sou, em detrimento do mundo que coordeno.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Homem em Regressão


O homem ao tropeçar em diversos obstáculos foi evoluindo, tentando perceber a melhor forma de conseguir ultrapassa-los, fazendo com que assim se fosse tornando cada vez mais um ser superior tanto a nível físico como intelectual. O ensino é algo imprescindível para a vivencia humana, precisamos sempre de criar metas e expandir os horizontes do nosso conhecimento. É por isso que se torna bastante importante a preservação da nossa escola, pois é esta a instituição que nos instrui para o futuro.
Tomamos o percurso evolutivo errado e agora já pouco há a fazer a não ser dar um passo que já ha muito se encontra num canto da nossa cave, o bom-senso, pois em vez de preservarmos a entidade que nos consolida a cada dia que passa, tendemos para a destruir. Destruímos com palavras, actos e indiferença.
Sendo a Escola João da Silva Correia, uma das mais conceituadas da cidade, acho que todos nós deveriamos ter orgulho em frequenta-la e esse orgulho devia repercutir-se em trabalho árduo para cingrarmos na nossa vida a nível educacional, e também para evoluirmos enquanto pessoas. O nosso futuro é construído a partir da Educação, é este suporte social, que garante a nossa projecção enquanto profissionais competentes e eficazes, e por isso não podemos simplesmente substimar o seu papel nas nossas vidas, devemos preserva-la e usufruí-la devidamente, não esquecendo que a oportunidade de poder estudar é muito relevante e gratificante, e que existem outros jovens no mundo que nunca terão acesso à frequência de uma escola.

terça-feira, 18 de maio de 2010

The Doors o filme

"Feche os olhos. Vamos ver a cobra, veja a serpente aparecer. Sua cabeça é de dez metros de comprimento e cinco metros de largura. Ela tem um olho vermelho e um olho verde. Ela tem sete milhas de comprimento. Mortífera. Eu vejo toda a história do mundo em suas escamas, todos os povos, todas as acções. Todos nós somos apenas imagens sobre suas escamas. Deus, ele é grande, ele está a mover-se, devorando a consciência, digerindo poder. Monstro de energia. É um monstro. Nós estamos indo para beijar a serpente sobre a língua. Beijo da serpente. Mas se ela sentir medo, ela vai comer-nos imediatamente. Mas se a beijarmos sem medo, ele vai-nos levar até ao jardim, através do portão, para o outro lado. Passeie pela serpente até o final dos tempos." Jim Morrison

http://www.youtube.com/watch?v=iuTAxeyALv4&feature=related

O meu percurso em Filosofia


A disciplina de Filosofia tem sido para mim uma mais valia.
Tenho vindo a evoluir conscientemente e a tomar posições plausíveis face às situações que me assolam, assim como ao mundo na qual estou inserida, e tudo graças a esta disciplina.
Já não é a primeira vez que me encontro numa espécie de convivência com a Filosofia, no entanto não acho que tenha tido uma boa experiência anteriormente, visto que só comecei a ter gosto pelos seus conceitos este ano. Não digo que tenha sido por culpa dos meus professores, o problema era intrinsecamente meu, pela desmotivação de ter estado na área errada. Costuma-se dizer que quando se realiza algo por gosto, nada é difícil, e o mesmo se passou comigo, pois agora sim, sinto-me realizada por me encontrar numa área que se enquandra tão bem na minha pessoa, visto que a minha essência é premeditada pela leitura e principalmente pela escrita, adoro escrever.
Apesar de no inicio deste ano termos começado com aulas um pouco rotineiras e difusas, tudo mudou de figura com a professora Diana Tavares, que me cativou bastante pela sua maneira de se pronunciar e de nos ilucidar acerca dos assuntos tratados pela Filosofia.
A Filosofia na minha opinião não se trata de experiencialismo, trata-se de uma construcção mental medida a cada dia, sendo refutada, corrigida, ou até mesmo substituída, pois nada é definitivo, nada é limitado, basta transpôrmo-nos para além das palavras e ideologias.
A actividade de "filosofar" evita a minha queda face à inércia da ignorância, da abstenção. O meu individualismo está na ponderação, não posso desfalecer em utopias e aspirações momentâneas. Não esquecendo que os dialectos intelectuais com Kant, Platão, Nietzsche, Albert Camus, Jen-Paul Sartre, entre outros me foram ajudando a crescer.
Com a aprendizagem que tenho vindo a adquirir até hoje, concluo que dizer-se que o homem é o único ser provido de racionalidade, o que o faz ter livre opinião de escolha é expressamente um erro se for tida em conta, pois é mesmo por essa racionalidade, que o homem se torna um ser sucumbido pelas rédeas do certo e do errado; em que qualquer que seja uma decisão, ou outra remetem-se sempre em repercurções na nossa pessoa e nos que nos rodeiam.
A nossa vida enquanto seres existenciais não sobrevive de olhares, sobrevive de ouvintes, de pensadores, opiniões, ideologias.
Não podemos simplesmente não ouvir!
Necessitamos de utopias paralelas, para podermos envendrar pelo limear dos sonhos e das aspirações.
Há que se escapar da inerência sistemática das crenças, das políticas e das organizações sociais e atingir aquilo que nos transcende.
Tenho tentado ao máximo encontrar a trajectória que melhor corresponde aos meus pensamentos, sem esquecer que existem outras trajectórias que são seguidas por outros, e que no fim acabam por se encontrar com a minha, numa encruzilhada.
Pois o fim é igual para todos, o percurso até ele é que toma proporções desiguais!
E essas proporções, no meu caso, foram orientadas pela beleza da Filosofia, em não se contentar com aquilo que apenas vislumbramos.
Mãe, eu quero ficar sozinho.
Mãe, não quero pensar mais.
Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem sequer ter que
me ir embora.
Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim.
Outro maldito que não sou senão este tempo que decorre
entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo,
de quê mãe?
Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver
razão para tanto sofrimento.
E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos
partir, para regressar?
Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte ás
arrecuas que me deste.
Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os
olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra,
mar, mãe...
Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar
nota a nota o canto das sereias... Lembrar cada
lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir
aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para
ficar...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O amor que ama

O amor, o amor.
Amor que leva algumas pessoas à loucura, o amor que deixa o teu coração desleixado, o amor que te dá vontade de gritar perante multidões, o amor que te deixa apático, o amor que te cega, o amor que te faz mal, o amor que te faz descansar do mundo, o amor que faz com que sejas preso, o amor que se torna obcessão, o amor que preenche todos os teus dias, o amor que te torna mais bonito, o amor que pára o tempo, o amor que te faz ultrapassar limites, o amor que te faz pensar, o amor que te torna ridículo, o amor que te faz chorar, o amor que te atribui um significado, o amor que se projecta no teu caminho até à felicidade, o amor que mata, o amor que fere, o amor que te dá alento, o amor que te faz esboçar um sorriso, o amor que te dá vontade, o amor que te acarinha, o amor que se entristece contigo, o amor que te ama.
Dito por palavras, parece tão bonito que até chega a enjoar.
Falar nele e olhá-lo, nunca me parece boa ideia, porém, tenho sempre necessidade de o relembrar, de o aconchegar, de o tentar compreender.
O amor é daqueles sentimentos que contém inúmeras acepções, e vos garanto em como nenhuma delas é definitiva. Pode levar o tempo que levar, pode ir no vento, porém uma brisa que vai, volta sempre, e é por isso que o amor nunca termina. Pode tomar diferentes percursos, diferentes gestos, diferentes pessoas, que nunca deixa de ser amor.
Então que o amor me queime, me rasgue.
O amor que torne o meu coração em calda de açúcar e que a faça escorrer-me na garganta, cortando-me a circulação venosa.
Mais ainda, ele que me pese sobre as costas, que crave em mim o seu paladar, pois eu nunca o vou deixar sair de mim. Preciso do termo amor, preciso de falar sobre ele, preciso de escrever sobre ele, preciso sobretudo de o sentir, em cada entranha minha, em cada traço da minha dor.
Nem com o amor, nem sem ele, que agonia.
Haverá algo que consiga suportar a primordialidade daquilo que tenho a dizer acerca do amor?
O amor faz-nos sentir rejubilantes, mas também traz as tempestades mais gélidas, como nenhum outro sentimento.
No entanto, sinceramente prefiro sofrer por amor do que sofrer com a crueldade e desprezo que assola o nosso mundo.
Mas porque não consigo deixar de falar no amor?

Admito que de nada me serve tanto pensar e falar nele, pois vou ser sempre a sua derrotada.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Análise aprofundada do filme "Sinais do Futuro" 14 de Dezembro de 2009


A realização deste trabalho, está no âmbito de relacionar os conceitos mais complexos da Filosofia, tais como: Determinismo; Livre Arbítrio; Nostradamus; Destino; com o desencadeamento do filme "Sinais do Futuro", que por sua vez, vai reverter-nos para uma situação do quotidiano.
Começando pelo determinismo, que é uma teoria que afirma serem todos os acontecimentos, inclusive vontades e escolhas humanas, causadas por acontecimentos anteriores, ou seja, sendo o homem destituído de liberdade total de decidir.
Na minha opinião o determinismo, é uma teoria filosófica completamente descabida. Sei que o determinismo e o livre arbítrio são proclamados como coexistentes, por vários pensadores. Embora, eu não compreenda como dois princípios opostos podem coexistir, se a existência de um anula a existência do outro. Não concordo com os princípios do determinismo, na minha opinião todos nós temos o direito de fazer as nossas próprias escolhas, não obstante àquilo que somos ou fazemos. Porém, devo salientar que logo no início da nossa vida somos confrontados com o determinismo, pois nenhum de nós usufruiu da escolha de querer fazer parte deste mundo ou não. Deste modo, o conceito de determinismo não é persuasivo, mas sim manipulador, implementando nas nossas vidas conceitos dissimulados que nos levam a agir como marionetas, sem opções, sem escolhas, tudo o que fazemos é influenciado por uma metodologia, que embora, vá contra os nosso princípios, devemos cumpri-la. Com esta minha opinião, claro está, que também não acredito no destino. Não me agrada a ideia de não poder controlar a minha própria vida, pois caso contrário, nada para mim faria sentido. Independentemente de tudo o que fizesse o meu futuro estaria estipulado. A nossa realidade tem de ser moldável e conforme, a moral dos nossos actos, sendo bons ou maus, devemos arcar com as consequências daquilo que realizamos.
O filme que visualizamos, está assente no conceito de Numerologia e sobretudo nas teorias do astrólogo e profeta Nostradamus. A numerologia é o estudo das influências e qualidades místicas dos números. Segundo a numerologia cada número ou valor numérico é dotado de uma vibração, ou essência individual e indicaria tendências de um acontecimento ou personalidade, apesar de não existir qualquer evidência científica de que os números apresentam tais propriedades. Daí a personagem Lucinda, ter escrito uma vasta sequência de números, e ouvir como que o chamar destes, na sua cabeça. Sendo a vibração dos números tão intensa na sua mente, Lucinda ao ter sido interceptada pela professora, não podendo acabar a sua sequência de algarismos, isolou-se num compartimento e escreveu os números que lhe faltava, na parede, ao ponto de fazer sangrar as suas mãos.
Ao ter sido enterrado o papel repleto de números de Lucinda, juntamente, com os restantes desenhos da sua turma, numa cápsula do tempo; após 50 anos, os alunos dessa mesma escola dessenterraram essa cápsula do tempo e num dos desenhos, um dos alunos descobre uma série de números. O pai desse mesmo aluno, toma conhecimento da existência desse papel repleto de números, de que o seu filho tomou posse; e sente a necessidade de o analizar pormenorizadamente. John acredita no livre arbítrio, tendo transparecido isso mesmo aos seus alunos, numa aula. Livre Arbítrio, é a crença filosófica que afirma que a pessoa tem o poder de escolher as sua acções. Em que os acontecimentos não são coordenados por acções antecedentes. Com a análise detalhada da sequência de números, John descobre então que esses mesmos números representam datas de acidentes naturais e catastróficos, que ocorreram nos últimos anos, inclusive datas que ainda estariam para acontecer. E é, entao neste momento, que podemos observar a aplicação das teorias do astrólogo Nostradamus. Nostradamus afirmava, que as suas profecias não se tratavam de eventos fatalmente destinados a concretizarem-se, mas sim avisos à humanidade. Também afirmava que as trágicas catástrofes por ele profetizadas podiam não suceder. Contudo, ainda avisava que se a Humanidade não alterasse o seu comportamento, os terríveis destinos previstos pelas suas visões ir-se-iam cumprir.
Pôs-to isto, o professor presenciou ou melhor, fez parte de uma catástrofe, em que a sequência de números de Lucinda, tinha inscrita a latitude exacta; deste modo John ficou convicto de que a lista estava certa.
À medida que as datas e o número de mortes se vão confirmando, a personagem principal, deixa de acreditar no livre arbitrio, que era um conceito bastante assente na sua vida; e passa a acreditar que tudo na vida está pressupôs-to, sendo isto um dos princípios do determinismo.